1 aLFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Pensar em Alfabetização e letramento é remeter-se a diversas fronteiras as quais se delineiam conceitos recentes que chega ao Brasil na década de 80 de acordo com Soares (2004). Na visão da autora acima citada a invenção do letramento surge a partir da necessidade “de reconhecer e nomear práticas sociais de leitura e de escrita mais avançadas e complexas que as práticas do ler e escrever resultantes da aprendizagem do sistema de escrita’’(2004, p. 6).
Alfabetizar é permitir o acesso ao mundo da leitura e da escrita, dando condições ao sujeito de ser capaz de ler e escrever, decodificar e codificar, bem como fazer uso adequado da linguagem escrita conforme menciona Soares:
Alfabetização é dar acesso ao mundo da leitura. Alfabetizar é dar condições para que o indivíduo-criança ou adulto - tenha acesso ao mundo da escrita, tornando-se capaz não só de ler e escrever, enquanto habilidades de decodificação e codificação do sistema da escrita, mas, e, sobretudo, de fazer uso real e adequado da escrita com todas as funções que ela tem em nossa sociedade e também como instrumento na luta pela conquista da cidadania plena, (1998, p.33).
Fazer o uso da leitura e da escrita, isto é aprender a ler e a escrever levam os sujeitos a vários aspectos, sendo o social, cultural, cognitivo, lingüístico entre outros, transformando a vida do sujeito. Segundo Freire (1983, p.49) “alfabetizar-se é adquirir uma língua escrita através de um processo de construção do conhecimento com uma visão crítica da realidade”.
1.1 aLFABETIZAÇÃO E SUA FUNÇÃO SOCIAL
2 aSPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA
2.1 TIPO DE ESTUDO
Esta pesquisa caracterizou-se em bibliográfica, descritiva, qualitativa. Para André e Lüdke (1986), é descritiva por se mostrar materiais ricos em descrições, de pessoas, de situações, depoimentos, acontecimentos, citações para fins de afirmação. É descritiva de acordo com Triviños (1987) pela descrição do fenômeno pesquisado, mas também pela explicação e compreensão de sua totalidade.
A pesquisa qualitativa, conforme André e Lüdke (1986), supõe o contato direto e prolongado com o ambiente e a situação investigada, através de intensivo trabalho de campo.
2.2 População e Amostra
Esta pesquisa realizou-se a partir dos sujeitos pesquisados da Escola Estadual de Educação Básica Governador Jorge Lacerda, localizada no município de Torres – RS, sendo com vinte (20) estudantes de 2º ano da Turma 212 do Ensino Fundamental, turno da tarde. Esta turma é composta por nove (9) meninas e onze (11) meninos.
A Escola Estadual de Educação Básica Governador Jorge Lacerda foi fundada em 1959, se encontra localizada no centro da cidade de Torres, Rua Almirante Barroso nro. 200, próximo a Praça da Igreja Matriz Santa Luzia e a três quadras da praia grande.
No que refere-se ao espaço físico, a escola é considerada de grande porte, o prédio é próprio da instituição e está em bom estado de conservação e limpeza de suas dependências. Possui quadra de esporte ao ar livre, onde acontece, além das aulas de educação física, eventos e projetos da escola. A biblioteca conta com acervo bibliográfico considerado adequado ao atendimento da comunidade escolar.
A escola possui 25 salas de aula, sala de reforço, sala de recursos, sala para supervisão e orientação escolar, vice-direção, direção, secretaria ampla, auditório, laboratório de ciências, refeitório, cozinha e banheiros. O laboratório de informática está em processo de organização sem prazo definido para funcionamento, pois os computadores que existiam estão totalmente sem condições de uso.
Atualmente a escola atende a 1.121 alunos no total das várias mondalidades. No ensino Médio (EJA) são 143 alunos; Ensino Médio regular, 294 alunos; Ensino Fundamental - 9anos 148 alunos; Ensino Fundamental – 8 anos, 523 alunos; Educação para surdo nível Ensino médio, 13 alunos.
O quadro docente é composto por 75 professores. E o de funcionários são; 4 secretários; 3 monitoras; 5 serventes; 4 merendeiras. Responde pela direção da escola a professora Rita de Cássia, vice direção do turno da tarde a professora Cleusa Munari, pelo turno da manhã a professora Lisiane e do turno da noite a professora Carla Trindade.
O critério utilizado para esta escolha foi devido ao fato de ser a pesquisadora a professora desta turma e estar sempre presente no ambiente escolar e assim percebendo que deveria inovar a sua prática, começando com seus alunos em sala de aula, desta forma a amostra foi simples e intencional. Uma amostra intencional consiste em identificar e selecionar uma amostra que possibilite a obtenção de informações necessárias ao desenvolvimento da pesquisa, sendo que os sujeitos que participaram da prática foram selecionados em função de serem alunos da pesquisadora, indicando ser desnecessário colocar mais sujeitos.
5.3 Coleta de dados
Durante a pesquisa foi utilizado os seguintes instrumentos: primeiramente observações seguidas de atividades práticas. As observações aconteceram no decorrer das aulas, em um período de 180 horas. Segundo André (2001, p. 37-38), o “observador não pretende comprovar teorias nem fazer ‘grandes’ generalizações.” Salienta ainda o mesmo que, “o que busca, sim, é descrever a situação, compreendê-la, revelar os seus múltiplos significados, deixando que o leitor decida se as interpretações podem ou não ser generalizáveis, com base em sua sustentação teórica e sua plausibilidade”.
As práticas começaram no dia 12 de abril do corrente ano, com a intenção de aplicar a metodologia de Projetos de Aprendizagens.
3 apresentação, análise e discussão dos dados
Esta fase de pesquisa tem por objetivo apresentar, analisar e discutir os dados coletados a partir de (20) estudantes de 2º ano da Turma 212 do Ensino Fundamental, turno da tarde. Esta turma é composta por nove (9) meninas e onze (11) meninos da Escola Estadual de Educação Básica Governador Jorge Lacerda, localizada no município de Torres – RS, sobre o tema de pesquisa ensinar e aprender com projetos de aprendizagens.
3.1 Trabalhando com projetos de aprendizagens
Partindo das curiosidades dos alunos, permite que eles aprendam de forma interdisciplinar, os diversos conteúdos do interesse dos alunos aparecem naturalmente, onde professor somente guia, dirige, orienta, abre alas para os alunos irem em frente, professor e alunos aprendem juntos.
Com essa proposta pude trabalhar sem fronteiras. Um grupo pode estar apenas nas dúvidas e certezas provisórias enquanto o outro avançando disparada mente.
Durante o desenvolvimento do PA aconteceram mudanças importantes, muitas outras dúvidas surgiram e novas buscas aconteciam.
5.1.1 Primeira Trilha
Para aguçar a curiosidade dos alunos foram colocadas várias revistas “Ciências” para que eles selecionassem algo que achassem interessante para conversar com os colegas do grupo, não demorou muito tempo para que os estudantes buscassem a liberdade nos manuseios das devidas revistas. Passaram algum tempo folhando as revistas, alguns já dominam a leitura outros liam as imagens, enfim todos ficaram envolvidos com a atividade.
Enquanto os alunos trocavam idéias, foi colocada uma caixa onde estava escrito “Baú das curiosidades”, o que chamou a atenção da turma. A curiosidade foi tanta que eles queriam saber o que tinha dentro do tal Baú das curiosidades. E assim começou a conversa sobre projetos de aprendizagens. A professora pesquisadora falou que dentro do Baú deveriam ir todas as perguntas curiosas que eles gostariam de fazer para depois todos começarem um trabalho muito interessante sobre elas. Os alunos comentaram oralmente sobre as perguntas encontradas nas revistas, outros fizeram perguntas viáveis e outras muito difíceis, entre elas como surgiu à vida na terra, como apareceu o sol e a lua, por que a água do mar é salgada? Após foi pedido a eles que escrevessem suas perguntas e colocassem dentro do baú das curiosidades. Não era esperado que surgissem tantas perguntas escritas por eles, mas cada um foi escrevendo sua pergunta, e ao mesmo tempo criando hipóteses sobre a escrita, procurando junto aos colegas e a professora as letras que faltavam para escrever o que queriam.
Durante a elaboração das perguntas foram feitas várias observações sobre o emprego da letra maiúscula no início da frase e o ponto de interrogação no final da pergunta. Durante o PA, foi possível desenvolver os conteúdos do plano de curso da série, os mesmos vão surgindo espontaneamente e os alunos descobrem a necessidade do emprego e dão sentido ao trabalho que estão realizando.
5.1.2 Apresentação das primeiras aulas com projetos de aprendizagens
Em primeiro (1) de junho de 2010 a aula foi iniciada com todos os alunos sentados no piso em cima de um tapete organizadamente em círculo. A atividade proposta era observar as gravuras, sendo que uma mostrava um menino que escolhera as plantas como tema de estudo, outra uma menina cuidando dos animais e reconhece bem as funções de um veterinário e outra um menino que se encanta ao explorar a astronomia. (gravuras retiradas da revista Nova Escola janeiro/fevereiro de 2006, pág.51 e 53). Após os alunos passaram a relatar o que liam nas gravuras, já que estavam todos muito entusiasmados foi solicitado à turma se quisessem fazer mais algumas perguntas para acrescentar no baú poderiam fazê-lo.
Surgiram muitas outras questões que foram colocadas no Baú. A seguir foram abrindo cada uma e eles colando as mesmas uma a uma no painel coletivo que deram o nome de “Nossas Dúvidas” e depois leram oralmente cada uma e os grupos fizeram suas escolhas que ficaram assim distribuídas:
Grupo Força G; Rafael, Ilan, Pietra, Marlon, Cristiano e Hendrick com a pergunta: Desde quando que acontece a copa do mundo?
Grupo Rolinha; Ana, Gisele, Débora, William, Weslei e Monique com a pergunta: Quando começou a primeira copa do mundo?
Grupo Beija-Flor; Eduarda, Rafael, Kaylane, Julia, Suelen, Maria Laura e Rafaela com a pergunta: De onde vem a gelatina?
Todos os alunos estavam entusiasmados para começar um trabalho sobre as perguntas escolhidas, porém dois grupos tinham a mesma opção, decidiram ficar distribuídos em grupos menores. Para tanto que esta aula teve seu objetivo alcançado, partindo do principio que os alunos apresentaram autonomia e entusiasmo na elaboração de perguntas através da linguagem oral e linguagem escrita, além de efetivas participações e colaborações junto ao seu grupo.
No dia seguinte, dia 2 de junho de 2010, após a rotina diária; oração espontânea e canção de boas vindas. Os alunos colocaram-se em forma de círculo todos sentados no tapete para conversar sobre o PA, sanar as dúvidas e ouvir quais são os passos que eles iriam tomar para buscarem o que eles queriam saber. Alguns alunos disseram que não sabiam onde buscar informações, outros já trouxeram várias anotações que pesquisaram na internet, outros encontraram na revista Nova Escola. Teve um aluno que trouxe vários folder com a tabela de jogos da copa do mundo, África do Sul 2010 e o grupo da gelatina trouxeram informações bastante ampla sobre o assunto. Todo o material foi colocado dentro do blog do grupo que eles mesmos criaram no decorrer desta aula.
Todos os alunos contribuíram com suas descobertas no trabalho coletivo. Foi observado que eles aprenderam a ouvir o colega e respeitar as normas de convivência, além de ler e escrever novas palavras, frases e textos de acordo com seu nível durante as pesquisas realizadas.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
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Um comentário:
Querida Elaine,
Percebo que tu trouxe para o blog os registros da construção do teu TCC e que já se encontram no PBworks. A tua reflexão sobre alfabetização e letramento está muito interessante, mas a atividade do blog prevê que vocês revisitem as postagens anteriores e as interdisciplinas, revejam os textos e atividades e a partir daí construam um reflexão (em setembro) para os eixos 1, 2 e 3. A tua reflexão pode manter a alfabetização e o letramento como conceitos centrais, mas deve se articular com o que foi trabalhado nas diferentes interdisciplinas. Partindo dos parágrafos iniciais deste “post”, onde defines o conceito e o “surgimento do Letramento”, que segundo Soares, aconteceu na década de 80. Bem, como conceito é esta mesmo a época onde os autores começaram a nomear de forma diferenciada as práticas sociais de leitura e escrita. Porém um dos autores que influenciou essa definição de Soares, Brian Street, menciona o Paulo Freire como um dos autores que contribuiu para que o Street definisse o seu conceito do letramento numa perspectiva ideological. Mesmo Freire jamais tendo usado o termo letramento, sua pedagogia emancipatória contribuiu para que o conceito avançasse para uma dimensão social dos usos da leitura e da escrita. Acredito que disciplinas como Escola, Cultura e Sociedade tenham discutido essa perspectiva e as implicações do papel do professor. Vou voltar em breve e espero encontrar novas postagens, onde tu focalize estas práticas letradas no contexto dos eixos.
Grande beijo,
Profa. Nádie
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