sábado, 11 de setembro de 2010

MODELOS DE LETRAMENTO

PRÁTICA DE LEITURA, ESCRITA E ORALIDADE NO CONTEXTO SOCIAL.

Relendo o texto, MODELOS DE LETRAMENTO E AS PRÁTICAS DE ALFABETIZAÇÃO NA ESCOLA, (Kleimam, 2006), compreende-se que a autora afirma que a escola sendo a mais importante agência de letramento, não se preocupa com o letramento social e sim apenas com um tipo de letramento, o escolar.
Os eventos de letramento acontecem nos mais diversos espaços sociais nos quais se realizam práticas discursivas letradas, que demandam qualquer nível de familiaridade com a escrita.. Assim a escola é uma das agências de letramento, aquela à qual se atribui o papel de “Introduzir formalmente os sujeitos no mundo da escrita”. Entretanto, Kleiman (1995c, p.20) destaca que a escola “preocupa-se não com o letramento, prática social, mas com apenas um tipo de letramento, a alfabetização, o processo de aquisição de códigos, o que leva a escola a alcançar sua promoção”.
Como há diferentes concepções de letramento sustentado as práticas de uso da escrita na escola, Kleiman apresenta as duas concepções postuladas por Street (1984) denominados: Modelo Autônomo e Modelo ideológico.
O Modelo Autônomo, predominantemente em nossa sociedade parte do princípio de que, independente do contexto de produção, a língua tem uma autonomia, que só pode ser aprendida por um único processo, normalmente associado ao sucesso e desenvolvimento próprios de grupos mais civilizados.
A escola tradicional sempre pautou o ensino pela progressão ordenada de conhecimento: aprender a falar a língua dominante, assimilar as normas ao sistema de escrita para um dia fazer uso desse sistema em formas de manifestações previsíveis e valorizadas pela sociedade. Em síntese, uma prática reducionista e autoritária; uma metodologia etnocêntrica que pela desconsideração do aluno mais se presta o quadro do fracasso escolar.
O Modelo Ideológico admite a pluralidade das práticas letradas, valorizando o seu significado cultural e contexto de produção, rompendo definitivamente com a divisão entre o “momento de aprender” e o “momento de fazer uso da aprendizagem”; os estudos lingüísticos propõem entre “descobrir a escrita” (compreensão das regras e modos de funcionamento) e “usar a escrita” (cultivo de suas práticas a partir de um referencial culturalmente significativo para o sujeito).
O letratamento e alfabetização, segundo alguns autores: Kleiman,1995; Freire,1980; Oliveira, 1994; Heath,1982,1983; Matencio, 1994;Gee,1990; Street,1984, não mais enfocam o letramento como fenômeno social e a construção da escrita como fenômenos universais, responsáveis pelo progresso, a civilização, o acesso ao conhecimento.
As práticas escolares passam então a ser apenas um tipo de prática social de letramento, que embora continue sendo um tipo dominante desenvolvendo apenas algumas capacidades.
As escolas tal como a conhecem é fruto de uma história bastante longa de letramento e cultura da escrita, assumindo o papel de transferir à população a “tecnologia” letrada, ou seja, a escrita alfabética, tornando-se difícil desfazer essa ideologia em curto prazo de tempo.

Um comentário:

Rosângela disse...

Oi Elaine,

Ao fazer tuas postagens, procure sempre situar o leitor sobre qual interdisciplina ou atividade estás te referindo. Nessa, por exemplo, faltam elementos que nos permitam identificar de que interdisciplina se trata.

Em tua reflexão pontuas com clareza a importância de um letramento voltado para as práticas sociais de escrita. Infelizmente, isso ainda não é uma preocupação em todas as escolas. Como procuraste atender a essa demanda em tua turma de estágio? Que experiências com a escrita esses alunos tiveram e que se configuram como uma forma de letramento mais próxima do "modelo ideológico"?

Seguimos dialogando!
Beijos, Rô Leffa.